Sépsis

A sépsis é uma resposta extrema do sistema imunológico a uma infeção, que poderá levar à falência de diversos órgãos e até à morte. 

Geralmente, o nosso sistema imunitário combate bactérias, vírus, fungos ou parasitas para controlar as infeções. Quando estas se instalam no nosso organismo, por vezes é necessária a ação de antibióticos, antivirais, antifúngicos ou antiparasitários para combater a doença de cariz infecioso. No entanto, o sistema imunológico nem sempre consegue controlar os organismos invasores e surge uma infeção generalizada. Este é o princípio da sépsis. Assim, numa pessoa que possui sépsis, perante uma infeção grave o sistema imunológico ataca-se a si próprio, podendo causar lesões fatais em tecidos e órgãos do organismo.

Em média, global e anualmente, são diagnosticados 437 casos por 100.000 habitantes e 11 milhões de mortes (19,7% das mortes globais).


Existem vários sintomas desta patologia. Entre eles encontram-se:

  • Febre superior a 38ºC;
  • Transpiração intensa;
  • Aumento da frequência cardíaca;
  • Respiração ofegante;
  • Calafrios ou prostração.


Na sua forma mais grave, a sépsis pode ainda apresentar os seguintes sintomas:

  • Estado de confusão mental;
  • Náuseas e vómitos;
  • Diminuição / ausência de urina;
  • Pele manchada ou pálida;
  • Alterações da função hepática (fígado);
  • Tensão arterial mais baixa do que o normal.


Relativamente às causas não é ainda totalmente conhecido o porquê de o sistema imunológico poder responder de forma alterada e exagerada perante uma infeção. Pensa-se que poderá estar relacionado com certos fatores do próprio paciente em causa e também com o organismo que causa a infeção, que pode ter origem em:

  • Infeções bacterianas (mais comuns);
  • Infeções fúngicas e parasitárias;
  • Infeções virais.

 

O patógeno pode entrar no corpo através de uma ferida ou através de uma infeção que pode passar despercebida inicialmente por não originar muitos sintomas. Os locais de infeção inicial mais comuns são os pulmões, o cérebro e o aparelho urinário. Poderá atingir também a pele e outros órgãos.


No diagnóstico da sépsis utilizam-se critérios clínicos e laboratoriais que se conjugam com Índices de gravidade, como os critérios da Síndrome da Resposta Inflamatória Sistémica :

  • Temperatura corporal acima dos 38ºC ou abaixo dos 36ºC;
  • Aumento da frequência respiratória (superior a 20 incursões respiratórias / minuto);
  • Aumento da frequência cardíaca (superior a 90 batimentos cardíacos / minuto) 
  • Aumento ou redução significativos do número de leucócitos no sangue; 
É também utilizado o índice SOFA - Sequential Sepsis-related Organ Failure Assessment. Este índice é uma ferramenta de avaliação que se concentra na disfunção orgânica, tal como a insuficiência respiratória apresentada, o número de plaquetas no sangue, entre outros. 

Embora seja essencial tratar a sépsis o mais depressa possível, o diagnóstico precoce é desafiante, já que muitos dos sintomas, como a febre, por exemplo, ocorrem perante muitas outras doenças. O médico deverá assim tentar saber o historial do doente, incluindo quaisquer infeções recentes, todos os sintomas e os exames laboratoriais necessários para identificar a doença.

Tais critérios clínicos são recolhidos através de análises ao sangue e à urina. Existem outros exames que podem ajudar a perceber a origem da infeção como a radiografia, ecografia ou tomografia computorizada. 


Após o diagnóstico, o tratamento da sépsis baseia-se no tratamento da causa primária da infeção, recorrendo-se a:

  • Antibióticos, se a infeção for bacteriana;
  • Fluídos intravenosos e oxigénio para garantir o fluxo sanguíneo para os órgãos;
  • Ventilação de suporte ou outro meio de respiração assistida, se necessário;
  • Remoção cirúrgica de tecidos danificados, se necessário.

 

Entre os grupos de maior risco de sépsis encontram-se os idosos, doentes crónicos, recém-nascidos e pessoas com o sistema imunitário debilitado. Para os mais idosos, os tratamentos a administrar podem prevenir úlceras de pressão ou tromboses venosas profundas.

Em Portugal, a utilização de protocolos como a Via Verde da Sépsis permite um diagnóstico e terapêutica mais eficazes, como a estabilização hemodinâmica de pacientes em choque séptico. Quando esta condição se apresenta na sua forma mais grave são utilizadas substâncias farmacológicas, como a fluidoterapia. 


É possível prevenir a sépsis?

Tomar medidas para prevenir infeções ou tratá-las imediatamente caso surjam pode reduzir o risco de contrair sépsis. A prevenção de feridas ou a sua desinfeção, bem como a correta  lavagem das mãos poderá também ser uma mais valia na prevenção da patologia referida. A procura de ajuda médica imediata no caso de existirem sinais de agravamento de uma infeção é também um ato de extrema importância no despite/prevenção da sépsis.

O tratamento precoce pode ser eficaz, mas a doença pode evoluir, tornando-se de difícil tratamento. Doentes que sofreram de sépsis podem também sentir efeitos a longo prazo na sua saúde, como cansaço ou incapacidade para atividades do quotidiano.

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